anónimo 

O cheiro dele! Só isso deixa-me pronta. Sei que aquele cheiro significa que vou ser atada. Vou estar à sua mercê.

Naquele dia estava nervosa, mas assim que começamos, todos os factores externos desapareceram e ficámos nós, as cordas, a música e aquele cheiro. Ao primeiro toque no meu corpo, à primeira inspiração profunda soube que nada ia correr mal.

Consigo recordar o abraço apertado das cordas no meu peito, a vontade querer ficar nesse abraço para sempre e ser manipulada nessa fragilidade. O meu corpo pede o contacto da corda, pede o contacto das suas mãos. A cada pequeno toque dos seus dedos na minha pele, a cada ajuste do meu corpo que me deixa exposta não consigo evitar esboçar um sorriso.

Abandono-me às cordas que me envolvem o tronco, enquanto ele me ata a perna e sei que estou a ficar molhada. O meu corpo não consegue ficar indiferente à manipulação forte daquelas mãos que sabem tão bem o que querem e quais os caminhos que devem percorrer.

Na subida lenta, com todas as transições refugio-me na respiração, olho para dentro de mim como se me estivesse a ver de fora, fecho os olhos e danço. Dentro de mim, o meu corpo dança.

Desperto por momentos para um arrepio no corpo quando sinto a suavidade do seu toque no momento que afasta ligeiramente os meus calções e desejo que continue, que me tire a roupa. Quero sentir os dedos dele dentro de mim, a sua boca quente e suave em mim. Quero que me morda, me arranhe. A minha respiração acelera enquanto me começa a descer com o cabelo puxado para trás e me aperta o pescoço. Deixo-me cair nesse aperto até ficar sem ar. Desejo chupá-lo quando a minha cara fica entre as suas pernas. Queria tanto que me fodesse a boca, que me apertasse a cara e desse um estalo nos momentos que se estivesse quase a vir.

No entanto, a dança lenta continua, até ao chão. Com os joelhos quase a tocar o chão vem uma mistura de sentimentos pela antecipação do momento de descarga. Quero continuar e sei que é o momento de acabar. As cordas começam a sair. Gosto de as sentir passar pelo corpo e de sentir o toque dele. É o toque que me diz que não sou apenas um corpo, mas que sou alguém. Abandono-me ao chão.